Audiência pública debateu pedido de liberação de eucalipto transgênico na CTNBIO

do Gôndola Segura

Segundo o Professor Paulo Kageyama, que agora esta de volta como membro da CTNBIO a audiência foi importante porém criticou o formato da audiência, onde segundo ele, foi possível perceber mais argumentos a favor da liberação do que contrário além da direção não abrir para mais pessoas poderem se manifestar. 

Segundo o ex-membro da CTNBIO,  Dr. Leonardo Melgarejo, representando o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a empresa Futuragene havia lotado o auditório com seus 45 funcionários e terceirizados, ironizando. Melgarejo fez uma apresentação extremamente coerente, segura e ética. Demonstrou as deficiências do pedido de liberação e após assistirmos a própria empresa apresentar seus resultados, estava claro a fragilidade do processo de pesquisa até o presente momento.

Não obstante, tivemos momentos de comoção, quando um apicultor que comenta ter participado do experimento da empresa Futuregene (Suzano), requerente da autorização/uso comercial do eucalipto transgênico fez um discurso extremamente emotivo, ao se auto declarar um “observador” desse experimento certificando-se com propriedade: “as abelhas continuam até picando igual, nada mudou nesse período de testes”.

Pesquisadores contestaram essa afirmativa, além de criticar a postura ética da empresa, que convidou um suposto apicultor para expor-se em uma audiência pública de cunho científico alegando inclusive que ele alimenta-se do mel em testes e nada sentia de diferente.

Esse fato demonstra a levianidade da equipe que conduziu esses experimentos, tratando o tema com uma característica muito presente no Brasil, o deboche.

Todavia o representante da federação de apicultura do estado de São Paulo, Alcindo Alves, criticou com muita enfase a audiência. Alcindo comenta que sendo o mel brasileiro um produto que poderá ser contaminado indiretamente pelo eucalipto transgênico, os agentes fiscalizadores do mercado externo certamente vão impor barreiras comerciais caso seja detectado polen modificado.

Além de ser necessário no Brasil informar na rotulagem a leta “T” pela possível contaminação o que causaria um enorme prejuízo aos apicultores de todo o Brasil. As abelhas percorrem de 6 até 10 km. Outro ponto acerca das abelhas é que não foi possível prever impactos concretos na sua saúde pois existem diversas espécies nativas que não foram avaliadas.

A reflexão então seguiu no sentido de correr vários riscos de contaminação não somente da biodiversidade e do mel mas um possível efeito colateral que impacte na saúde das abelhas pela inserção de duas proteínas na árvore. O prejuízo que o setor apícola poderia sofrer é incalculável.

É preciso mobilizar-se sobre o tema e expandir o debate para não incorrermos em decisões precipitadas. Foram solicitados mais experimentos além dos 19 que faltam ser concluídos pela empresa atualmente, principalmente relacionados ao consumo animal do mel produzido com polen de árvores transgênicas.

O Ministério da Agricultura posicionou-se de forma imparcial, reforçando que a decisão depende do resultado do processo da CTNBIO. Já o Ministério do Meio Ambiente reforçou a preocupação com a falta de dados e pesquisas alertando a necessidade de tratar a questão com mais cautela. O Ministério da Ciência e Tecnologia representado pela EMBRAPA fez a defesa da tecnologia e da liberação defendendo o processo de pesquisa e liberação, mesmo este sendo severamente criticado pelos demais representantes do governo e pesquisadores. 

Ao fim o GreenPeace questionou o setor florestal / Futuragene perguntando se havia sido realizado algum experimento onde estivesse dados/fatos que comprovem que se aumentado a produtividade da árvore pelo processo de transgencia, poderia ter um aumento no consumo de água. A resposta foi de que nenhum estudo nesse sentido foi realizado.

Outro ponto importante do debate foi a respeito das certificadoras que atualmente não permitem o uso de árvores transgênicas. O setor florestal posicionou-se de forma tranquila, comentando que estava articulando o processo de alteração de conceitos e diretrizes de suas fornecedoras.

A FSC – The Forest Stewardship Council é uma das principais certificadoras do setor e corre o risco de tornar-se conivente desse processo caso venha a ceder a pressão dos industriais. É com esse intuito que o Gondola Segura alerta a todos os consumidores que preparem-se para o boicote caso essa liberação venha acontecer assim como todos os cidadãos devem pressionar o governo para que sejam acatadas as críticas dos pesquisadores sobre o tal processo de pesquisa que conclui-se incompleto e incapaz de prever e ou reparar danos a saúde de animais bem como de contaminação da biodiversidade neste momento.



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