Dois anos enfrentando o agronegócio em defesa da vida

Com dignidade e compromisso com a vida, campanha permanente enfrenta o poder do agronegócio e do latifúndio. Em 7 de abril, dia mundial da saúde, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida comemora dois anos de existência.


por Martí Méndez, da CPT/MS

Representada por uma centena de entidades e organizações sociais e com a contribuição de cientistas, pesquisadores, comunicadores, advogados, militantes populares,  artistas, defensores de direitos humanos, profissionais da saúde, atores, escritores etc., o movimento enfrenta o poder político e econômico do agronegócio com dignidade e compromisso com a vida.

A campanha foi lançada em 7 de abril de 2011 por mais de 30 organizações sociais, com o objetivo de denunciar a falta de fiscalização e os efeitos prejudiciais dos agrotóxicos e defender alternativas como a agroecologia como outro modelo de produção para o Brasil. Nestes dois anos há muitas coisas por destacar. Para citar só alguns, a conquista da produção do filme “O veneno esta na mesa” de Silvio Tendler, e a produção dos três dossiês da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva): Agrotóxicos/Segurança Alimentar e Saúde (1); Agrotóxicos, Saúde, Ambiente, e Sustentabilidade (2); Agrotóxicos, Conhecimento Científico e Popular: Construindo a Ecologia de Saberes (3). Nesse período, foram produzidos materiais como os cadernos de formação, o site da Campanha (www.contraosagrotoxicos.org), cartazes, charges, panfletos, músicas e programas de rádio, além de consolidados os comitês estaduais Contra os Agrotóxicos e criada a Frente Parlamentar de Agroecologia, no Congresso Nacional.

Contra a territorialização da morte

Numa conjuntura em que a sensação é de que ninguém pode deter o avanço do agronegócio predador, os problemas gerados pelos agrotóxicos na produção de mercadorias (defendidas como alimentos pelo agro-capital) são cada vez maiores e os números em uso, recursos e efeitos nocivos para a saúde são assustadores. A soma do uso e abuso de agrotóxicos pelo agronegócio está cheia de contradições – embora, nesse mar, o agronegócio pareça se alimentar e encontrar cada vez mais incentivos, atingindo dimensões temerárias, ao resguardo da “legalidade”, e a impunidade.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% dos brasileiros (80 milhões de pessoas) vivem em situação de insegurança alimentar.  Isto comprova que o agronegócio é incompetente para atender às necessidades do povo. E, do que oferece, nesse sentido, cada vez mais tem aumentado o teor de venenos e diminuído o componente sadio. Sem veneno o agronegócio não sobrevive. Segundo o alerta divulgado pela Campanha, o modelo “depende de agrotóxicos, monocultivo e latifúndio; concentra terras, produz para a exportação, expulsa o povo do campo, gera lucros para as transnacionais, mas mantém a fome e a pobreza no Brasil”.

Cada brasileiro consome em média 5,2 litros de agrotóxicos por ano; o agronegócio envenena 76% do território agricultável; recebe 84% dos créditos do governo, perante os 14% da agricultura camponesa, que coloca 70% dos alimentos na mesa dos brasileiros, diante dos 30% de mercadoria envenenada do agronegócio.

Segundo um estudo do professor-doutor Wanderlei Pignati/UFMT, o agronegócio apresenta para o Brasil um questionado tipo de desenvolvimento. Os 45% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vêm da cadeia produtiva do agronegócio, ou seja, da mercadoria dita de “alimento”, madeiras, fibras, couros e outros produtos. Na maioria dos municípios do “interior” do Brasil, essa participação pode subir de 70 a 90% do PIB. A pergunta da hora é que tipo de desenvolvimento está trazendo? É o que ele chama o “bico do papagaio”: é desenvolvimento a monocultura químico-dependente? O monopólio de sementes, fertilizantes e agrotóxicos? Produzir mercadorias contaminadas ao invés de alimentos sadios? Gerar trabalho escravo e riscos sanitário-ocupacional e ambiental? Violência e deslocamento forçado de comunidades tradicionais?

Além disso, o agronegócio é o inimigo numero um de todos os biomas brasileiros. A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida enfrenta essa correnteza do agronegócio que não é outra coisa senão a territorialização da morte em nome do “desenvolvimento”.

Dois anos de Campanha

Em 10 de abril, próxima quarta-feira, haverá um ato em Brasília, ocasião em que serão entregues, na Câmara dos Deputados, as assinaturas da Campanha do abaixo-assinado realizado em vários Estados do país que exige o banimento de agrotóxicos já banidos em outros países.

Para Cleber Folgado, da Secretaria Operativa Nacional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o trabalho realizado pelos comitês locais e estaduais, nestes dois anos, tem sido um dos mais importantes instrumentos de luta de campanha. Indicou que em 2013 a Campanha está “firme e atuante” e que a indicação é que nos estados e municípios sejam conformados comitês locais com os movimentos sociais, parlamentares comprometidos, sindicatos rurais e urbanos, escolas, universidades, associações e grupos de produtores orgânicos, igrejas, artistas, centros de cultura e outros, para enfrentar os desafios da Campanha. “Precisamos obter vitórias a partir da nossa capacidade de fazer enfrentamento àqueles que não respeitam nem a vida humana nem o planeta”, manifestou Folgado.

Panfletagens, debates, seminários, denúncias, audiências públicas, projeção de filmes da campanha, palestras, agitação e propaganda, deverão acontecer também em muitos estados durante a semana do aniversário da Campanha.

Fonte: Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

 

 



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