Especialistas defendem a taxação dos agrotóxicos

Davi Lemos, A Tarde, Salvador/BA

A taxação dos defensivos agrícolas e a publicação nos rótulos dos alimentos da quantidade a que foram expostos são formas de controle do uso de agrotóxicos na produção defendidas por especialistas ligados ao Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e ao Fórum Baiano de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FBCA).

Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), referentes a análises de produtos colhidos em 2010, vegetais como  pepino,  cenoura, morango, pimentão e  alface são os que apresentam o maior índice de contaminação por agrotóxicos.

Vale ressaltar que as amostras de pimentão  são as que apresentam o percentual de contaminação por defensivos agrícolas mais elevado. Um total de 91,8% das amostras deste produto examinadas ou apresentavam contaminação por agrotóxico acima do permitido ou por substâncias proibidas no País.

Por outro lado, os especialistas também destacam que a alternativa dos alimentos orgânicos ainda é cara devido à falta de incentivos.

Vários males – A médica e pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Lia Geraldo Augusto, diz que os dados que mostram os danos dos agrotóxicos para as pessoas e o meio ambiente são antigos. “Há comprovação de danos em estruturas moleculares, nos sistemas endócrino, reprodutor, cardiorrespiratório além de depressão. E também de câncer, males de Parkinson e Alzheimer”, completa  a pesquisadora.

Lia Augusto diz também que há registros de pessoas que chegaram a cometer suicídio após a exposição a agrotóxicos nos estados de Alagoas e Rio Grande do Sul. “Não é que as pessoas se suicidaram ingerindo agrotóxicos. Elas se suicidaram após quadros de depressão causados pela exposição ao produto”, explica a pesquisadora.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada registro de intoxicação por defensivos agrícolas há, pelo menos, 50 subnotificações. “Os médicos não são formados nem preparados para identificar as intoxicações por agrotóxico, que não atingem somente trabalhadores, mas outras pessoas na rota de distribuição dos produtos”, afirma Lia Augusto, também professora da Universidade de Pernambuco.

Triste liderança – Segundo o Consea, anualmente, são em média  5,2 litros de agrotóxicos ingeridos por habitante brasileiro. O procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) e presidente do Fórum Baiano de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, Pedro Luiz Serafim, classifica a situação do Brasil como “muito crítica”, por se tratar do País que mais consome agrotóxicos.

O presidente do FBCA salienta ainda que apenas 10% dos agrotóxicos pulverizados nas plantações atingem seu alvo. “O restante alcança o meio ambiente, contamina o solo e os lençóis freáticos”, disse Pedro Serafim. No Brasil, calcula-se que sejam utilizadas 800 mil toneladas de agrotóxicos.

Ainda são permitidos no País o uso de defensivos proibidos no exterior. São 14 substâncias, entre  elas o endosulfan (banido em 45 países), a cihexatina – proibida na União Europeia e em países como a Austrália, Canadá, Estados Unidos, China, Japão, Líbia, Paquistão e Tailândia – e o metamidofós (proibido, por exemplo, na União Europeia, China, Índia, e Indonésia).

Os especialistas informam que o governo federal reduziu em até 60% o ICMS de todos os agrotóxicos aqui produzidos e os isenta completamente de IPI, PIS/Pasep e Cofins.



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