Monsanto começa a dar adeus ao Glifosato… mas isso não é uma boa notícia

Empresa americana inicia pesados investimentos em novo herbicida. Reunião da CTNBio de amanhã já tem na pauta transgênicos resistentes ao Dicamba

da Campanha Contra os Agrotóxicos, com informações da Reuters

Pouco a pouco, o império do Glifosato vai ruindo. Seja pelo vertiginoso aumento de incidência das plantas resistentes, seja pelas cada vez mais contundentes provas da carcinogenicidade do herbicida, não é muito difícil imaginar que estamos caminhando para o fim do ciclo do agrotóxico mais utilizado no mundo.

Entretanto, o que poderia parecer uma boa notícia, na verdade não é. Obviamente, a indústria já se antecipou e vem desenvolvendo alternativas para seguir lucrando sobre o envenenamento da população.

Prova disso são os investimentos da Monsanto na produção do Dicamba, um novo herbicida. A Dow Chemical, por sua vez, aposta no velho conhecido 2,4-D, que vem desde o agente laranja da guerra do Vietnã até o nosso prato de comida.

Nos início do ano, a CTNBio já aprovou os transgênicos resistentes ao 2,4-D com Glifosato. Na reunião dos dias 7 e 8 de outubro, entram na pauta as sementes resistentes à mistura da Dicamba com Glifosato.

Infelizmente, sabemos como nosso órgão regulador funciona, e não há nada que esperar diferente de uma aprovação.

Abaixo, a tradução de matéria da Reuters sobre o Dicamba. Destaque absoluto para a pérola dita por um “analista”: “A realidade é que a indústria vai ter que continuar evoluindo assim como as plantas evoluem”.

Durma-se com um barulho destes.

 

Monsanto investe mais de um bilhão de dólares na produção do Dicamba

Os esforços da Monsanto para expandir seus interesses agroquímicos para além do Glifosato foram revelados por notícias de que a companhia planeja investir mais de 1 bilhão de dólares em estruturas de produção para um herbicida alternativo.

Executivos da Monsanto esperam investir o dinheiro nos próximos 3 a 5 anos, expandindo sua fábrica em Lulling, Lousiana (EUA), para produzir o herbicida Dicamba. Lulling vem sendo um local-chave para a produção de glifosato há anos.

O interesse e investimento no Dicamba representa um passo além na redução da dependência da compania ao glifosato, o ingrediente ativo do produto da linha Roundup.

O Glifosato também é a chave para várias das sementes geneticamente modificadas da Monsanto. A companhia produz milho, soja, algodão, canola e outras sementes que toleram aplicações do glifosato.

“Na próxima década … isto representa o potencial de diversificar ainda mais nossa produtividade no segmente, e prover uma fonte de crescimento no longo prazo”, afirmou o presidente da Monsanto, Brett Begemann, a analistas em uma conferência.

Roundup, e as sementes Roundup Ready, da Monsanto, foram muito populares entre fazendeiros no mundo inteiro, especialmente nos Estados Unidos. Entretanto, a utilização em massa dos produtos tem gerado crescimento de plantas resistentes ao Glifosato.

O problema das plantas resistentes se tornou tão significativo para a produção de grãos que fazendeiros têm procurado alternativas, e a Monsanto e seus rivais na indústria agroquimica têm corrido para introduzir novas opções para o glifosato e as sementes Roundup Ready.

“A realidade é que a indústria vai ter que continuar evoluindo assim como as plantas evoluem”, disse o analista Matt Arnold, da Edward Jones.

A solução da Monsanto combina Glifosato com Dicamba para o que vem sendo chamado de sistema de sementes “Roundup Ready Xtend”, voltado para soja e algodão.

A rival Dow AgroSciences, uma unidade da Dow Chemical, desenvolveu sementes que toleram seu novo herbicida, que combina 2,4-D com glifosato.

A Monsanto diz que vê um campo de aplicação de pelo menos 80 mihões de hectares para seu sistema “Roundup Ready Xtend”, para algodão e soja nas Américas.

A companhia disse que ainda espera aprovação dos órgãos reguladores chineses sobre a importação na nova soja. A China é um comprador chave da soja norte-americana, mas tem mostrado relutância em aprovar a importação de novas sementes transgênicas.



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