Pesticidas agrícolas matam abelhas e prejudicam polinização, diz estudo

Pesquisa da UFSCar e Unesp de Rio Claro mapeia mortalidade no país. Agrotóxico deve ser evitado durante a florada, recomenda o Ibama.

O uso de inseticidas em plantações tem sido um dos maiores responsáveis pela morte de abelhas em todo o país, aponta um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro (SP). O Ministério da Agricultura e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama)  recomendam que a aplicação de agrotóxicos não seja feita durante a florada. 

Os estudos começaram há três anos e os resultados preocupam os pesquisadores. O monitoramento identificou que as abelhas estão morrendo. Todos os estados registraram perdas e as mais significativas foram em Santa Catarina, Mato Grosso, Sul de Minas, Rio Grande do Sul e, principalmente, em São Paulo. Dados comprovados mostraram que nos últimos anos houve a mortalidade de 20 mil abelhas nos apiários paulistas. 

“Nós começamos a identificação dessa mortalidade, que foi quando aconteceu no Estado de São Paulo o advento das aplicações aéreas de agrotóxicos feitas por aviões”, explicou o pesquisador da Unesp Osmar Malaspina.

A pesquisa também mostrou que a produção de uma mesma cultura, em grandes áreas, a chamada monocultura, também tem afetado as abelhas. As constatações dos professores não trazem reflexos apenas nos apiários. A mortalidade de abelhas pode interferir até na manutenção das florestas. 

“De todo o processo de polinização que é dependente de animais, as abelhas são responsáveis por 70%, é um numero muito alto. Então tem o impacto na questão ambiental, porque a gente não pode pensar só na cultura agrícola. Para manter uma remanescente de área nativa, precisa polinizar aquelas plantas também”, disse a pesquisadora da UFSCar Roberta Nocelli.

Exportação 

Uma empresa de Rio Claro fabrica 35 produtos diferentes à base de mel. A produção mensal chega a 120 toneladas. Metade é destinada ao abastecimento interno e o restante é exportado para Japão, Estados Unidos, Canadá. 

O Brasil é um dos principais exportadores de mel do mundo, além de ter o maior número de espécies abelhas. A mais comum em apiários é a abelha africanizada, que é uma mistura de subespécies: africana e européias. Entre as nativas está a Jataí, que não tem ferrão e vive em florestas mais fechadas.



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