
Por Leonardo Fernandes
Da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Documento defende reforma agrária popular e critica subsídios ao agronegócio para garantir a produção de alimentos saudáveis
Neste domingo, 21 de junho de 2026, a 23ª Jornada de Agroecologia terminou em Curitiba (PR) com a divulgação de um documento que exige ações urgentes do governo. Durante o encerramento, os participantes lançaram a carta política que reafirma a agroecologia como um “projeto popular para transformar a sociedade”, e cobra o fortalecimento da Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) e novos mecanismos para incentivar a transição no campo.
“Reafirmamos também a necessidade de fortalecimento da Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (PRONARA) e da construção de mecanismos concretos de incentivo à transição agroecológica. É urgente ampliar o acesso ao crédito, à assistência técnica, à extensão rural, ao seguro agrícola e às políticas públicas voltadas para agricultores e agricultoras que produzem alimentos saudáveis e preservam a biodiversidade”, diz o texto.
“Defendemos ainda a ampliação das políticas públicas voltadas à agricultura familiar, camponesa e agroecológica. O fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), das políticas de conservação da agrosociobiodiversidade e das iniciativas de produção e circulação de alimentos saudáveis é fundamental para garantir soberania alimentar, geração de renda e permanência das famílias em seus territórios”, agrega.
O manifesto critica a distribuição de recursos públicos e aponta que “bilhões de reais são destinados ao financiamento do agronegócio”. Enquanto isso, produtores de comida saudável encontram barreiras para acessar crédito e assistência técnica. Segundo o texto, “não existe transição agroecológica sem reforma agrária popular” e sem a proteção de territórios quilombolas e indígenas.
“Sabemos que não existe justiça climática sem justiça social, racial e de gênero. Não existe transição agroecológica sem reforma agrária popular, sem democratização do acesso à terra, sem proteção dos territórios e sem fortalecimento dos povos que historicamente cuidam da biodiversidade”, afirma outro trecho.
A crise climática foi um dos temas centrais nos quatro dias de encontro no campus da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para os movimentos populares envolvidos na construção da jornada, o modelo econômico atual transforma a natureza em mercadoria e gera destruição ambiental. O documento defende que a produção camponesa agroecológica protege a biodiversidade e garante a soberania alimentar do povo brasileiro.
“Reafirmamos a agroecologia como resposta concreta à crise civilizatória que enfrentamos. A agroecologia protege a biodiversidade, fortalece a soberania alimentar, recupera solos e nascentes, preserva sementes crioulas, gera trabalho digno e constrói relações baseadas na solidariedade e na cooperação. A agroecologia produz alimentos saudáveis e produz também territórios vivos, livres e saudáveis”, pontua o documento, destacando ainda o papel das mulheres, indígenas e povos tradicionais na construção desse novo modelo, sendo as “guardiãs das sementes crioulas, dos quintais produtivos, dos saberes ancestrais e das práticas de cuidado que sustentam a vida”.
A carta final da Jornada de Agroecologia defende ainda a realização de uma “reforma agrária popular e integral com a demarcação dos territórios tradicionais e a proteção das pessoas defensoras da vida”. “Não existe agroecologia sem acesso à terra. Não existe soberania alimentar sem territórios protegidos”, diz o texto que ainda denuncia os “retrocessos permanentes na legislação ambiental, com o enfraquecimento dos mecanismos de controle e fiscalização que são feitos para atender aos interesses corporativos dos grupos de poder que não se preocupam com a proteção da vida”.
Finalmente, a carta faz homenagens a lideranças históricas, como dona Ana Maria, do Paiol de Telha, referência da luta pela agroecologia e que deu nome ao café da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos, que funcionou durante toda a atividade, promovendo debates e oficinas sobre o enfrentamento ao uso de venenos na agricultura.
A 23ª Jornada de Agroecologia do Paraná foi realizada pela Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
