Denúncia: terrorismo químico no Quilombo Cancela, no Maranhão

Quando a mídia do agro começa a falar, é porque a situação já chegou ao indefensável sob todos os pontos de vista.

Quando a mídia do agro começa a falar, é porque a situação já chegou ao indefensável sob todos os pontos de vista. É inadmissível e criminoso o que está ocorrendo no município de São Benedito do Rio Preto, a cerca de 240 km de São Luís. Moradores do Quilombo Cancela denunciam uma grave violação de direitos humanos e ambientais: a pulverização aérea de agrotóxicos diretamente sobre suas casas e roças.

O relato das vítimas é de um cenário de guerra química. Crianças, gestantes e idosos — os grupos mais vulneráveis da comunidade — estão sofrendo com náuseas, coceiras intensas e dores de cabeça logo após o sobrevoo criminoso de aeronaves agrícolas. Vídeos gravados pelos próprios moradores comprovam o momento exato em que o veneno é despejado sobre o povoado, ignorando qualquer norma de segurança ou respeito à vida humana.

A Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA), que integra a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, denuncia que a contaminação vai além dos sintomas imediatos, produzindo uma grave ameaça à segurança alimentar, com a contaminação de roçados da agricultura familiar. A RAMA também afirma que este não é um fato isolado, mas parte de um contexto brutal de grilagem de terras, invasões, ataques a moradores e destruição de plantios destinados à subsistência.

O Maranhão tornou-se um campo de batalha impulsionado pela expansão desenfreada do agronegócio na região do MATOPIBA, atingindo povos indígenas, quilombolas e assentados. Apenas em janeiro de 2026, 142 localidades no estado foram alvo de pulverizações, e São Benedito do Rio Preto emergiu como o epicentro desse crime, com 27 comunidades impactadas.

Não podemos aceitar que aviões “fantasmas” continuem espalhando veneno sobre rios e lares sob o manto da impunidade. Embora a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) e a Secretaria de Direitos Humanos (SEDIHPOP) afirmem estar acompanhando o caso, a resposta das autoridades precisa ser imediata e rigorosa.

Exigimos justiça para o Quilombo Cancela! É urgente a identificação e punição dos responsáveis, além da interrupção definitiva dessa prática bárbara que prioriza o lucro de poucos em detrimento da vida e da dignidade de comunidades tradicionais maranhenses.

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