Evento contou com a participação de diversos órgão, como Anvisa, Ibama e, MAPA, e abordou temas com a pulverização aérea de drones e os impactos do acordo Mercosul União Europeia
Por Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

A secretária-executiva da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Jakeline Pivato, participou do seminário Agrotóxicos no Brasil: Impactos Socioambientais e o Cenário das Políticas Públicas. O evento, realizado em Brasília pelo Ministério Público Federal (MPF), reúne especialistas e autoridades entre os dias 9 e 11 de março de 2026 para debater a contaminação ambiental e a saúde humana.
Durante sua fala no painel sobre políticas públicas, Pivato destacou a incapacidade do poder público em controlar o uso de substâncias químicas no campo. Segundo ela, o país vive uma contradição por ser o maior consumidor mundial desses produtos sem possuir uma estrutura adequada de vigilância.
“O Estado brasileiro tem o envenenamento como política ao negligenciar o monitoramento e a fiscalização”, afirmou a secretária. “O papel do Estado é insuficiente na fiscalização e no monitoramento. Temos a realidade de ser o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, mas não somos capazes de diagnosticar esse problema ou ter noção de como essa problemática se dá nos territórios”.
A representante da campanha ressaltou que a falta de controle estatal fica evidente com o comprovado aumento de conflitos e violações, sobretudo no campo. Para ela, o cenário atual demonstra uma ineficiência sistêmica que prejudica a população. “O Estado transforma o que era para ser exceção em regra”, disse Jakeline ao explicar que essa postura “endossa um verdadeiro modelo de morte que penaliza a saúde pública e a soberania alimentar”.
Agroecologia é o caminho
Como alternativa ao modelo atual, Pivato defendeu a massificação da agroecologia. Ela argumentou que essa prática deve ser vista como uma forma de organização da sociedade e um projeto aliado à luta de classes, indo muito além de uma matriz de produção de comida. A secretária também cobrou o fortalecimento do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos, o Pronara, e criticou a fragilidade de iniciativas governamentais tomadas até o momento.

“Precisamos, de fato, ampliar nossa capacidade de massificar o entendimento da agroecologia na sociedade para que ela vire uma bandeira aliada à luta de classes. A agroecologia, enquanto projeto, deve servir para fortalecer esse banco de ações de política pública, sendo entendida muito além de uma matriz de produção de comida, mas como forma de organização da sociedade”, destacou Pivato.
O seminário contou com a participação de diversos órgãos, como o Ibama, a Anvisa e o Ministério da Agricultura e Pecuária. Os debates abordaram temas como a pulverização aérea, inclusive por meio de drones, e os impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia.
