BASF vende no Brasil agrotóxicos proibidos na UE e é criticada em reunião de acionistas

Diante de acionistas e dirigentes da empresa, Campanha questiona dupla moral da empresa e sua influência na política brasileira

 

Movimentos sociais alemães organizaram na última sexta-feira (3) um protesto em frente ao local onde se realizava a assembleia de acionistas da BASF, na cidade de Mannheim, na Alemanha. Em 2017, a BASF foi a empresa agroquímica com maior faturamento no Brasil.

Os movimentos populares criticam a empresa pelos impactos causados por seus produtos – especialmente agrotóxicos e sementes transgênicas – e também pelos impactos causados pela cadeia de suprimentos da empresa, que inclui atividades de mineração na África.

Além do protesto, que confrontou diretamente os acionistas no local, outra estratégia é a utilização de ações da empresa para participação crítica na assembleia. De acordo com a lei alemã, todos os acionistas têm direito de comparecer à reunião anual e fazer questionamentos, não importando o número de ações que detenham. Se o acionista não pode ou não deseja comparecer, é permitido que ele indique um representante.

A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida foi convidada pela Misereor e pela Rede de Acionistas Críticos para a assembleia de acionistas e pôde questionar diretamente a direção da empresa sobre as ações da BASF no Brasil. Alan Tygel, da coordenação da Campanha, questionou a dupla moral da empresa, que vende em países pobres produtos proibidos na União Europeia.

“É preciso dar um basta na dupla moral corporativa. Na Europa, onde vocês comem sua comida e bebem sua água, limites rígidos e agrotóxicos proibidos; no Brasil, onde fazem seu lucro, vale tudo, inclusive interferência na política local em benefício próprio”, denunciou Tygel. A Basf vende no Brasil 13 agrotóxicos proibidos na Europa.

O militante também lembrou da influência de empresas como a BASF na eleição de Jair Bolsonaro, que recebeu forte apoio da bancada ruralista, o que inclui as empresas de agrotóxicos. “A bancada ruralista no Brasil, formada por parlamentares que apoiam o agronegócio, foi peça fundamental para a eleição de Bolsonaro. A conta foi paga nos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro, quando houve aprovação recorde de 152 novos agrotóxicos”, apontou Tygel.

A empresa aponta que respeita as leis dos países onde atua. No entanto, fica oculto o fato de que a empresa também influi na elaboração das leis dos países onde atua. No dia 2 de abril, uma carta assinada por associações do agronegócio cuja BASF participa mostrou o apoio do setor à reforma de previdência de Jair Bolsonaro. Uma plataforma online lançada pelo setor também explicita o apoio das empresas ao Pacote do Veneno (PL6299/2002).

Após os questionamentos, a empresa admitiu ter três funcionários no Brasil exclusivamente para fazer lobby tanto junto à Anvisa quanto junto ao Ibama, Ministério da Agricultura e CTNBio, órgãos reguladores sobre agrotóxicos e transgênicos. Eles também admitiram que se reúnem frequentemente com esses órgãos para discutir a elaboração das regulações que vão incidir sobre a própria empresa.

Uma comitiva da África do Sul veio denunciar o massacre de Marikana, quando 34 trabalhadores de uma mina de platina foram assassinados pela polícia quando protestavam por melhores salários e condições de trabalho. A empresa Lonmin, considerada cúmplice pelo massacre, fornece platina para a BASF.

Veja o discurso completo da Campanha em português e em alemão.



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