Comunidades vitimadas por Agrotóxicos no Maranhão realizam encontro 

Foto: Rede de Agroecologia do Maranhão

Da Campanha contra os Agrotóxicos e pela vida*

Na última sexta-feira, 07, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do município de São Mateus, no Maranhão, reuniu mais de 100 agricultores e agricultoras familiares atingidos pela chuva de veneno, despejada por pulverização aérea na região. 

Nos últimos anos, o Maranhão tem enfrentado uma verdadeira guerra química. Uma vez que, é o estado que mais registrou contaminações por agrotóxicos. Dados obtidos pela Repórter Brasil mostram que 228 comunidades em 35 municípios do estado denunciam contaminação por pesticidas entre janeiro e outubro de 2024. 

Uma chuva de veneno tem caído sobre as populações do campo, atingindo homens, mulheres, crianças e idosos. A paz, a saúde e a segurança alimentar dessas comunidades estão sendo destruídas. A pulverização aérea de agrotóxicos, feita por aviões e drones, têm contaminado rios, matando peixes e destruído plantações da agricultura familiar.

Ao explicar para os/as agricultores/as o que é o chamado “mata mato” encontrado facilmente nas bodegas do interior, que na verdade é o glifosato, o agrotóxico mais comercializado no Brasil e no Maranhão, o advogado da Fetaema (Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Maranhão), Diogo Cabral, chama atenção não apenas para os impactos deste agrotóxicos para a saúde das pessoas, como também aponta os últimos recentes retrocessos que ocorreram com relação ao tema.

“Os impactos provenientes do uso do glifosato são diversos: neoplasias, câncer, doenças relacionadas ao sistema reprodutivo, entre outras. Atualmente, se permite a pulverização aérea de glifosato. Porém, até dezembro de 2024, por força de uma decisão da justiça federal, era proibido a pulverizá-lo, mas ela caiu por terra por conta de uma sentença.” 

Após 11 anos de proibição, o juiz federal Paulo César Moy Anaisse considerou que o MPF não conseguiu comprovar irregularidades na prática da pulverização aérea, “limitando-se a alegações que não se traduzem em risco comprovado”, e liberou a pulverização aérea de glifosato no Maranhão. A aplicação foi suspensa em 2013 a pedido do Ministério Público Federal (MPF), que alegou que o Estado não estava conseguindo fiscalizar o uso descontrolado e irregular da substância. 

Foto: Rede de Agroecologia do Maranhão

A decisão da Justiça Federal é considerada um retrocesso ambiental e sanitário. Sobretudo, porque no Maranhão há um levantamento que aponta a aplicação de 30 litros de glifosato por hectare, contra o limite de até 6 litros por hectare recomendado pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado.

Em São Mateus do Maranhão, a situação não é diferente. A investida do agro tem sido crescente, com aviões e drones despejando veneno sobre as comunidades. É o que se vê nas comunidades de Andirobal, Curva, Água Branca e outras próximas ao que chamado Projeto Salangô têm denunciado os impactos devastadores do veneno. 

Agricultoras e agricultores das comunidades relataram a contaminação por agrotóxicos, a perda de alimentos, a insegurança alimentar e adoecimentos. A angústia e a tristeza de verem suas lavouras destruídas foram manifestadas no encontro. Representantes das organizações e do governo se manifestaram em defesa dos povos e comunidades do campo.

Estiveram presentes na reunião representantes da Secretaria de Direitos Humanos, SAGRIMA, INTERMA, AGED, cinco vereadores de São Mateus, as Secretarias Municipais de Agricultura e Meio Ambiente, RAMA, FETAEMA, além de outras organizações e movimentos.

Assim como em outras partes do país, a luta contra os agrotóxicos é permanente, pois também há um projeto de lei para permitir a pulverização aérea no Maranhão e que está tramitando na assembleia legislativa, ação denunciada como uma forma de reação às denúncias e aprovações de leis que proíbem a prática em diversos municípios.

Foto: Rede de Agroecologia do Maranhão

*Com informações da Rede de Agroecologia do Maranhão

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