Estudo identifica agrotóxicos na água potável de 52% dos municípios de SC

Ao menos 42 ingredientes ativos de agrotóxicos foram mapeados, incluindo cinco de uso proibido no Brasil: benomil, carbofurano, haloxifope metílico, metolacloro e molinato

Por Luigi Pinzetta* / Publicado em 24 de fevereiro de 2026 no portal Extra Classe

Estudo identifica agrotóxicos na água potável de 52% dos municípios de SC
Foto: Fernando Dias/Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável

A pedido do Ministério Público de Santa Catarina foram feitas análises da água tratada e distribuída entre 2018 e 2023 nos municípios catarinenses. Do total de 295 municípios do estado, 155 apresentaram pelo menos um ingrediente ativo de agrotóxicos.

Os dados revelam a presença de um a três componentes de agrotóxicos na maioria dos municípios. Em Ituporanga e Imbuia, na região do Vale do Itajaí, os números foram significativos: 23 e 17, respectivamente, incluindo os de uso proibido no Brasil.

O herbicida 2,4-D é a substância de maior incidência nas águas catarinenses. Identificado em 81 municípios, é utilizado no controle de plantas daninhas que infestam as culturas de arroz, milho, soja, trigo e pastagens.

De acordo com a bula do fabricante, o 2,4-D é um agrotóxico perigoso ao meio ambiente (classe III) e um produto altamente móvel, apresentando potencial de deslocamento no solo e podendo atingir principalmente águas subterrâneas.

No ser humano, os efeitos associados à exposição ao herbicida incluem câncer de estômago, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e infertilidade.

Conforme noticiado no Extra Classe, em setembro de 2025, a Vara do Meio Ambiente Justiça do Rio Grande do Sul suspendeu o uso do 2,4-D por 120 dias na região da Campanha no Rio Grande do Sul. A justiça tomou a medida após contaminação nas lavouras de uva, maçã, oliveiras e nozes-pecã, gerando prejuízo milionário aos agricultores.

Agrotóxicos proibidos encontrados

Do total de 42 agrotóxicos mapeados, 20 estão banidos na União Europeia. Além disso, foram encontrados em alguns municípios concentrações mais de 200 vezes maiores do que as permitidas na União Europeia.

O estudo evidencia que mesmo após o banimento de agrotóxicos como benomil, carbofurano, haloxifope metílico, metolacloro e molinato no Brasil, os ingredientes ativos ainda são aplicados na agricultura catarinense e contaminam a água e os ecossistemas.

A Anvisa baniu as substâncias após avaliações toxicológicas que identificaram risco à saúde humana e ao meio ambiente. O uso ainda ocorre de forma irregular, sobretudo por entrada ilegal no país, já que parte delas autorizada em outros mercados e é comercializada no exterior.

Os efeitos associados à exposição a agrotóxicos incluem a mortalidade por câncer por 100 mil habitantes, a mortalidade por suicídio e a incidência de anomalias congênitas em recém nascidos.

*Luigi Pinzetta é estagiário de jornalismo sob supervisão de Valéria Ochôa. originalmente publicado em extraclasse.org.

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