Levantamento aponta que Água de Rio Negrinho tem resíduo de agrotóxico banido no Brasil

Produtos têm propriedades associadas a riscos à saúde humana e ao meio ambiente

Análise foi realizada nos rios que cruzam as cidades (Foto: Arquivo / A Gazeta)

Por: Elvis Lozeiko
Da Gazeta BS

Um levantamento técnico realizado a pedido do Ministério Publico de Santa Catarina (MPSC) identificou a presença de resíduos de agrotóxicos na água de abastecimento público em mais da metade dos municípios analisados no Estado. O estudo reúne dados coletados entre 2018 e 2023.

De acordo com o parecer, 155 dos 295 municípios catarinenses (52,5%) apresentaream ao menos um ingrediente ativo de agrotóxico na água distribuida à população. Na mesorregião Norte, a detecção ocorreu em 11 dos 26 municípios (42,3%), incluindo cidades do Planalto Norte como Rio Negrinho, Mafra, Iatópolis, Major Vieira, Papanduva e Porto União. Em são Bento do Sul, no entanto, não foram constatados registros desse tipo.

Em Rio Negrinho, foram identificados diferentes substâncias ao longo dos anos. Entre elas está o Carbendazim, banido no Brasil em agosto de 2022, mas detectado em análise realizada em 2023. O Metocloro, proibido no país desde 2019, também apareceu em levantamento feito em 2018. Já o Ciproconazol, proibido na União Europeia desde 2011, ainda tem uso permitido no Brasil.

Embora essas substância não estejam listadas no parecer técnico do MPSC entre aquelas com efeitos associados à exposição, outros compostos identificados no estudo acendem alerta. É o caso da Atrazina, permitida no Brasil, mas proibida na União Europeia, e que, segundo o documento, pode estar relacionada a problemas como câncer, asma, doença de Parkinson, infertilidade, malformações congênitas e danos ao fígado.

No total, o estudo identificou 42 tipos de ingredientes ativos nas águas analisadas em Santa Catarina. Desses, 20 são proibidos na União Europeia e cinco já foram banidos também no Brasil. Um dos mais recorrentes é o herbicida 2,4-D, encontrado em 81 municípios.

O parecer ressalta que, embora muitas das concentrações estejam dentro dos limites de potabilidade estabelecidos no Brasil, diversas ultrapassariam os padrões adotados pela União Europeia, que são mais rigorosos para água destinada ao consumo humano. Segundo o documento, vários agrotóxicos detectados apresentam propriedades tóxicas e estão associados a riscos à saúde e ao meio ambiente. O relatório foi elaborado dentro do Programa Qualidade da Água, que monitora parâmetros químicos do abastecimento público em Santa Catarina.

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