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AGORA AO VIVO / Debate sobre o uso de agrotóxicos e suas consequências no Brasil, na I Oficina de Vigilância e Promoção da Saúde em Áreas de Reforma Agrária em Minas Gerais.

AGORA AO VIVO / Debate sobre o uso de agrotóxicos e suas consequências no Brasil, na I Oficina de Vigilância e Promoção da Saúde em Áreas de Reforma Agrária em Minas Gerais.

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? ? Sabemos que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo e que cada brasileiro consome em média 7 litros de veneno por ano. Este é um dos resultados da hegemonia do agronegócio no campo.
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? Entenda a situação na atualidade. Quais são as alternativas a este modelo? Como superar as transnacionais que dominam territórios e nos envenenam?
✅ Acompanhe a mesa sobre o uso de agrotóxicos e suas consequências no Brasil, na I Oficina de Vigilância e Promoção da Saúde em Áreas de Reforma Agrária em Minas Gerais, hoje, 09|08, às 14h30.
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A Rádio Brasil Atual apresentou a série de reportagens "Envenenados", que trata do emprego de agrotóxicos pelo agronegócio brasileiro e seus múltiplos efeitos nocivos para a saúde, o meio ambiente, os trabalhadores, comunidades indígenas, em um país que é campeão mundial no uso desse tipo de substância.
Os episódios apresentam casos emblemáticos ocorridos nos estados de Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o consumo de agrotóxicos no Brasil aumentou cerca de 220% entre 2005 e 2014, período em que a área plantada no país aumentou apenas 12%. No mesmo período, foi registrado um aumento de incidência de quase 40% dos casos de intoxicação por agrotóxicos. Além disso, quase 20% dos municípios apresentam contaminação da água por venenos e Fortaleza é a terceira cidade com o maior número (absoluto) de casos de intoxicação por agrotóxicos.
Autora do livro Mosquitos Geneticamente Modificados: Preocupações Atuais, a diretora da organização GeneWatch UK, Helen Wallace destaca que a sobrevivência das fêmeas é quase inevitável e, com o tempo, poderão ocorrer efeitos irreversíveis nos ecossistemas, trazendo desequilíbrios ecológicos e o surgimento de outras doenças transmitidas por insetos. Além disso, há efeitos colaterais que sequer foram considerados e avaliados em virtude da complexidade das relações entre o Aedes, outros mosquitos, os vírus que carregam e os seres humanos que serão picados.

Alimento verdadeiro é o alimento que gera saúde, alimento que cura.
O médico boliviano Rafael Bautista comenta as relações sobre saúde e alimentação e pergunta: "De que nos alimentamos quando comemos em restaurantes onde a intencionalidade com que foi preparada a comida é o lucro?"
"Mas há a possibilidade de outras alterações indesejáveis e danosas na planta. Quando mudamos o seu metabolismo, ocorrem inúmeras outra alterações que não são controladas e nem têm como ser avaliadas para a liberação. Portanto, existe risco de se produzirem efeitos colaterais nesta novas plantas e em tudo o que vier a ser feito com a sua utilização. E a exemplo do que acontece com outros transgênicos, vir a contaminar geneticamente as populações nativas, reduzindo sua biodiversidade"
Segundo alerta assinado pelo Caopcon, o documento apresentado pela Anvisa “desconsiderou o efeito crônico da contaminação por agrotóxicos, potencialmente relacionados a agravos como câncer, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico, entre outras doenças degenerativas”. Nas amostras, informa o Centro de Apoio, casos que não apresentam efeitos imediatos na saúde do consumidor foram tidos pela Anvisa como não importantes e deixam antever que podem ser ingeridos com segurança.
Para entender melhor os retrocessos que podem acontecer na lei cearense de agrotóxicos.
"Após esse novo estudo, continuar afirmando que o uso de neonicotinoides na agricultura não prejudica as abelhas já não é mais uma posição sustentável", opinou, à agência de notícias Reuters, o biólogo David Goulson, da Universidade de Sussex, no Reino Unido.
Engenheiro José Prata, do Comitê SP da Campanha contra Agrotóxicos, explica que 80% do agrotóxico usado no Brasil vai para commodities de exportação, como soja, algodão, milho e nos canaviais. Bancada ruralista quer flexibilizar ainda mais o uso destes venenos, que prejudicam a saúde do trabalhor no campo e do consumidor, provocando várias doenças, inclusive o câncer.
Por Márcia Lia é deputada estadual pelo PT de São Paulo.
"A possibilidade de flexibilizar ainda mais o uso de agrotóxicos é uma decisão política que tem por base a extinção de todos os programas de distribuição de terra outrora bem-sucedidos. O plano é devolver para a elite do Brasil tudo que ela precisou compartilhar com os menos favorecidos: das cadeiras nas universidades as terras griladas, roubadas. O intento do governo Temer e seus aliados é criar um órgão que estará nas mãos das indústrias para regular o assunto – o que seria impensável em qualquer democracia! Querem reduzir nossa possibilidade de fiscalizar os impactos negativos que agrotóxicos geram a saúde tirando ou aparelhando a Anvisa e o Ibama na jogada. E é estrutural entender porque nós somos tão preocupados com esses químicos."
“Não é raro vermos crianças de colo no meio das plantações acompanhando os pais. O impacto que isso tem na saúde é, muitas vezes, complicado de mensurar porque são vários os fatores que entram na relação exposição e dano”, disse. “Altas concentrações de produto tóxico por um período curto têm um efeito imediato, mas baixas concentrações por um longo tempo têm um efeito tardio de difícil avaliação”, explicou Tânia Maria Alves, da Fiocruz Minas.
De acordo com a pesquisadora, há muitos desafios no enfrentamento dessa questão. Segundo ela, é preciso melhorar o conhecimento, bem como a rede de apoio ao diagnóstico e ainda promover a educação para a saúde. “Todos sabem dos malefícios causados pelos agrotóxicos; isso já está provado. Precisamos, agora, travar uma luta política”, destacou.
O glifosato, ingrediente ativo do herbicida Roundup, da Monsanto, será colocado em uma lista do Estado da Califórnia (EUA) de produtos químicos avaliados como causadores de câncer no dia 7 de julho, disse o Escritório de Avaliação da Perda de Saúde Ambiental (OEHHA) na segunda-feira.
Enquanto isso, no Brasil...
A listagem é o mais recente revés judicial para a empresa de sementes e produtos químicos, que enfrentou litígios crescentes relacioandos ao glifosato, uma vez que a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer da Organização Mundial de Saúde disse que é "provavelmente carcinogênico" em uma decisão controversa em 2015.
Dicamba, um herbicida projetado para uso com a próxima geração de culturas biotecnológicas da Monsanto, está sob escrutínio no Estado do Arkansas depois que um conselho do Estado votou na semana passada para proibir o produto químico.