Boletim Semanal – 29 de outubro de 2019

Olá,

O grande destaque desta semana é o seminário Agrotóxicos, Políticas Públicas e Legislação que acontece amanhã em Brasília. O evento tem como objetivo debater as diversas legislações estaduais e municipais que restringem os agrotóxicos e promovem a agroecologia. Em momento que o nível federal está completamente dominado pelos defensores dos agrotóxicos, iniciativas como o banimento da pulverização aérea no Ceará ou a Zona Livre de Agrotóxicos em Florianópolis são inspiradores.

Na última sexta-feira, o IBGE fez a divulgação definitiva dos dados do Censo Agropecuário de 2017. A imprensa deu grande destaque a dois dados: houve aumento de 20% no número de propriedade que declarou usar agrotóxicos, e 63% dos que usaram agrotóxicos não receberam orientação técnica. Chamou atenção ainda o fato de que 15% dos agricultures que declaram usar agrotóxicos são analfabetos.

Mais uma vez, é bom lembrar que esses número representam a ponta do iceberg. O Censo Agropecuário de 2017 deixou apenas 1 pergunta sobre agrotóxicos no questionário; a edição anterior trazia 5, incluindo questão sobre pessoas intoxicadas.

Sobre esse assunto, mais uma vez trazemos notícias de aldeias indígenas contaminadas.

Desta vez são os Rikbaksta, que vivem no Noroeste do Mato Grosso e são vizinhos de plantações que utilizam pulverização aérea. O Ministério Público Federal investiga o caso.

Contamos com a presença de todas e todos em Brasília. Boa leitura!

Destaque

A questão dos agrotóxicos no Brasil vem sendo cada vez mais reconhecida pela sociedade como um grave risco à saúde e ao meio ambiente. Enquanto o governo federal atua incansavelmente no sentido de liberar ainda mais agrotóxicos, e afrouxar leis e regulações que tratam sobre o tema, municípios e estados da federação mostram que há outros caminhos a seguir. Para dar visibilidade às iniciativas de leis e políticas públicas para redução dos agrotóxicos, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida convida para o Seminário Agrotóxicos, Políticas Públicas e Legislação. O evento ocorre no dia 30 de outubro (quarta-feira), de 9h às 16h no auditório da CUT-DF, em Brasília.

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Agrotóxicos: Cresce número de produtores sem orientação técnica

O Censo Agropecuário divulgado nesta sexta-feita, 25 de outubro, pelo IBGE revela um dado alarmante: dos 1,7 milhão de produtores rurais que declararam fazer uso de defensivos em suas lavouras, 63% afirmaram não ter recebido nenhuma orientação técnica sobre o uso do produto. O percentual supera os 56% de produtores sem orientação técnica registrado no Censo de 1995, quando 1,4 milhão de produtores assumiram usar o produto.

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MPF apura impacto de agrotóxicos após índios se queixarem de coceira e da presença do produto em comida e água em MT

Os indígenas Rikbaktsa contaram que estão sentindo coceira na pele, cheiro e gosto de agrotóxicos nos alimentos e na água. Mulheres que vivem em aldeias indígenas, sítios e assentamentos, e que produzem alimentos a partir da agricultura familiar foram à Brasília em agosto deste ano justamente para manifestar sua indignação com a monocultura e o uso intensivo de agrotóxico no estado.

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Pesquisadora questiona “dose segura” para agrotóxicos nos alimentos e na água

Na análise que eu fiz, dos 10 agrotóxicos que pesquisei, em todas as doses, e foram doses consideradas padrão, (concluí que) a dose diária ideal não é segura. É tóxica, causa mortalidade, anomalias. Isso no teste que fiz, chamado toxicidade aguda. É um teste padronizado, aceito no mundo inteiro, e avalia a toxicidade. Pude verificar que essa dose, considerada padrão ideal, não é boa. Mas além dessa dose, testei outras. Cerca de 10 concentrações para cada agrotóxico. E, em todas, detectei mortalidade ou anomalia (dos peixes).

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MT: Moradores do buritis relatam passar mal após aplicação de agrotóxico

A pulverização de agrotóxicos nas lavouras de Primavera do Leste deve ser realizada a uma distância mínima de 250 metros da zona urbana, no entanto, há locais em que agriculturas ficam próximas a residências e nem todos respeitam o limite imposto por lei. Na semana passada, moradores do bairro Buritis utilizaram das redes sociais para relatar o uso de defensivo agrícola próximo a casas. Muitos relataram sintomas de dor de cabeça e vômito após a aplicação na região.

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Você não tem intolerância ao glúten, e sim ao glifosato

Um estudo síntese da Universidade de Cambridge, que analisou outros trezentos estudos similares, indicou uma forte correlação entre a intolerância ao glúten e o consumo indireto do herbicida glifosato, presente no agrotóxico Roundup, da Bayer, um dos mais utilizados no mundo, e principalmente, no Brasil. O estudo apontou que os sintomas da chamada “intolerância ao glúten” são muito semelhantes aos sintomas gerados pelo glifosato. Ambos afetam o sistema digestivo e reduzem exatamente as mesmas enzimas e bactérias digestivas. Também abalam as estruturas da parede intestinal, o que deixa o intestino frequentemente “solto”. As consequentes deficiências em minerais específicos, e necessários para o bom funcionamento do organismo humano, também são idênticas.

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MPT entra com ação contra fazenda por riscos a funcionários em aplicação de agrotóxico no MT

“Deve-se considerar os efeitos cumulativos que exposições prolongadas ao agrotóxico acarretam à saúde humana. Assim, ainda que a ausência de devida descontaminação não cause incidentes agudos aos trabalhadores, ela pode provocar, no futuro, danos irreversíveis à saúde, como o aparecimento de doenças crônicas de difícil diagnóstico, mas que estão ligadas a essa exposição prolongada ao veneno”.

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