Importação brasileira de agrotóxicos sobe 21% no ano

Comentário da Campanha: Ao responder sobre a liberação colossal de agrotóxicos este ano, o Ministério da Agricultura vem afirmando que aumento de registros não tem relação com o aumento do consumo. A análise a seguir pega o governo na mentira, e ainda mostra que além de sermos os campeões do uso de venenos, mandamos grande parte deste dinheiro pra fora. Ou seja: o tal “PIB do Agronegócio” beneficia apenas Bayer/Monsanto, Syngenta, DowDupont, BASF, etc.

Liderança nos gastos fica com inseticidas, mas fungicidas têm maior avanço percentual no ano

por Mauro Zafalon, da Folha de São Paulo

Os gastos do Brasil com a importação de agrotóxicos utilizados na produção agrícola subiram para US$ 2,11 bilhões de janeiro a setembro deste ano, 17% mais do que em igual período anterior.

Considerados outros produtos, como os utilizados em armazenamento e beneficiamentos de produtos agrícolas, a conta sobe para US$ 2,51 bilhões.

Até a primeira semana deste mês, o governo liberou o registro de 382 agrotóxicos, 21% mais do que em igual período de 2018.

O recorde de liberação anual ocorreu no governo de Michel Temer, em 2018, quando foram colocados 450 produtos no mercado. No ritmo atual, as liberações deste ano poderão ultrapassar as de 2018.

O gasto com a importação de inseticidas, ao somar US$ 890 milhões neste ano, lidera o valor das compras externas. O maior crescimento, porém, vem dos fungicidas: 41% mais. Os herbicidas atingiram US$ 668 milhões, com alta de 15% até setembro.

Estados Unidos, China e França são líderes na oferta de agrotóxicos para o Brasil. Os americanos lideraram as vendas de inseticidas. Já os chineses colocaram o maior volume de herbicidas no país e os franceses estiveram à frente nas vendas de fungicidas.

Boa parte dos dos agrotóxicos importados pelo Brasil vem da Europa. O bloco europeu foi responsável por um quinto de todos os gastos do Brasil com esses insumos agrícolas.

Os europeus lideraram na oferta de fungicida, ficando com 64% desse mercado brasileiro.

O país tem uma variedade maior de insumos químicos neste ano, mas o aumento de área plantada e as irregularidades climáticas exigiram mais pulverizações.

A área total dedicada à produção de grãos subiu de 61,7 milhões de hectares, em 2018, para 63 milhões em 2019, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

A área de soja, líder entre as culturas agrícolas brasileiras, já soma 36 milhões de hectares.

Boa parte desses agrotóxicos vão também para lavouras de cana e de café, além de pastagens e conservação de florestas plantadas.



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