Mais Agrotóxicos no mercado: impactos no Brasil

“A agroecologia é uma forma ecologicamente correta e viável de produzir alimentos, que se propõe a romper com o modelo predominante de agricultura no Brasil, o das monoculturas, que fazem uso de agrotóxicos em larga escala”.Conhecidos também como agroquímicos ou defensivos agrícolas, os agrotóxicos são produtos químicos utilizados na agricultura para combater pragas, especialmente insetos, e doenças causadas por microrganismos que atacam as plantações, utilizados em larga escala para o aumento da produção agrícola, e nessa seara, o Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos, principalmente em níveis acima dos considerados seguro.Contudo, como consequência de sua utilização, a comunidade científica demonstra a existência de resíduos de agrotóxicos em diversos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, a exemplo de vegetais e legumes produzidos em larga escala pelas empresas do agronegócio brasileiro, o que causa grande prejuízo à saúde humana e ao meio ambiente, com a contaminação de solos, águas, peixes, além de danos aos seres vivos de forma em geral, podendo levá-los à morte.Apesar dos danos ao meio ambiente e à saúde humana, o Brasil, nos últimos dois anos bateu recorde na aprovação de novos registros de agrotóxicos. Destaca-se que a aprovação de um agrotóxico passa pelo crivo de três órgãos federais: o Ministério da Agricultura (analisa a eficácia e formaliza o registro), a ANVISA (avalia os riscos à saúde) e o IBAMA (analisa os impactos ambientais), contudo, todos convergem para liberação e uso de novos agroquímicos. Durante a presidência do atual governo federal, os números assustam.Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) demonstram que de janeiro de 2019 até fevereiro de 2021 houve a concessão em torno de 1059 novos registros de agrotóxicos liberados pelo Governo Federal, sendo a maioria produtos genéricos, ou seja, que se baseiam em outros existentes. É o maior número compilado pelo MAPA desde 2000, quando passou a tabular esses dados. No Brasil, já são mais de 3 mil agrotóxicos disponíveis no mercado para comercialização.A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, da qual a CONTAG é uma das entidades componentes, ressalta que que no país foram liberadas aprovações de genéricos de agrotóxicos que já estão em processo de banimento em diversos países do mundo, a exemplo do produto Atrazina (banida da União Europeia), e do Glifosato banido da Alemanha.Além do exorbitante número de aprovações, ainda é preocupante o número de pedidos de novos registros de agrotóxicos que se aglomeram em fila do MAPA, o que nos leva à conclusão de que a “boiada” está passando, e o “veneno”, de forma acelerada chega às nossas mesas, e nem mesmo a Pandemia do COVID-19 conteve a liberação de novos registros, ao contrário, o processo foi acelerado.Este é um cenário assustador, a população e o meio ambiente estão expostos à danos muitas vezes irreversíveis, numa perversa cadeia de contaminação, pois uso de agrotóxico é um problema que gera muitos outros. A contaminação de peixes pode gerar doenças na população através do consumo da carne contaminada, e assim se dá com frutas, legumes e vegetais.É preciso contrapor essa situação. Ao uso de agrotóxicos, existem alternativas que contribuem na produção de alimentos saudáveis, de base orgânica e agroecológica, que não faz uso de qualquer tipo de agrotóxico.
A agroecologia é uma forma ecologicamente correta e viável de produzir alimentos, que se propõe a romper com o modelo predominante de agricultura no Brasil, o das monoculturas, que fazem uso de agrotóxicos em larga escala.
Existem diversos modelos de produção de alimentos que protegem a saúde humana e não degradam o meio ambiente, entretanto, cabe aos Governos efetivar políticas públicas, programas e projetos de financiamento da produção agrícola de base agroecológica, de valorização da agricultura familiar, e cabe a nós, sociedade civil organizada, movimentos sociais e sindicais cumprir nosso papel social de lutar pela produção de alimentos saudáveis. Chega de veneno na mesa!

FONTE: Secretaria de Meio Ambiente da CONTAG



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