No dia mundial da alimentação, movimentos e organizações debatem soberania alimentar com Vandana Shiva

Atividade on-line vai discutir a resistência e organização de camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais no Brasil e no mundo

Celebrando o Dia Mundial da Alimentação, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, em conjunto com outras organizações brasileiras e internacionais, realiza um encontro virtual com Vandana Shiva para debater sobre “Soberania Alimentar: resistência e organização de camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais”, nesta sexta-feira (16/10), às 10h30.

No diálogo com a ativista ecofeminista, será abordado o panorama de crescente insegurança alimentar e a perda de soberania nos países de capitalismo dependente ou periférico, agravados pela pandemia, pelas estratégias da agricultura ultra-mecanizada e por governos neoliberais conservadores. E como os diversos povos constroem estratégias de organização solidária desde o local até o global.

Fran Paula, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e FASE (MT), avalia que discutir esse tema com uma figura de expressividade mundial como Vandana Shiva, juntamente aos movimentos e organizações, é importante diante do atual momento de crise mundial econômica e sanitária, que afeta diretamente o acesso à alimentação no mundo. 

“O encontro tem a importância de refletir sobre o acesso e a qualidade da alimentação para a população em um momento de profundas desigualdades sociais e a perda de direitos no Brasil, mas também de uma crise mundial que afeta diretamente os sistemas alimentares”, pontua.

A antropóloga Maria Emília Pacheco, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) e  da ONG FASE é uma das convidadas para contribuir com o debate e afirma que o Dia Mundial da Alimentação no contexto da pandemia, da volta da fome e da escalada autoritária no país tem um sentido de alerta. 

“Os diálogos e debates como este que iremos realizar conclamam a sociedade. Precisamos da  mobilização social na construção de caminhos para a  nossa soberania alimentar. O Direito à Alimentação Adequada previsto em nossa Constituição precisa ser respeitado. Há um sentido de urgência para o apoio às organizações dos povos indígenas, camponeses, comunidades tradicionais, titulares de direitos, que historicamente conservam a biodiversidade fundamental  para nossas ricas culturas alimentares”, afirma Maria Emília. 

Participam também do encontro Alexandre Pires, da Via Campesina, Articulação Semiárido Brasileiro e Centro Sabiá; Fernando Cabaleiro, da Naturaleza de Derechos; além dos representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST),  Marcos Antonio Pereira; da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Nilce Pontes; e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). 

A atividade acontece no Zoom, com tradução simultânea, e será retransmitida no Facebook e YouTube da Campanha Contra os Agrotóxicos e organizações parceiras. Inscrições podem ser feitas no link: http://bit.ly/encontrocomvandana

No final de agosto, uma pesquisa desenvolvida pelo Ibope e Unicef registrou que mais de nove milhões de brasileiros deixaram de comer por falta de dinheiro. Quase metade da população (49%) sofreu mudanças nos hábitos alimentares durante a pandemia. Os impactos, aponta a pesquisa, são ainda mais intensos em famílias com crianças e adolescentes. Logo, esta atividade também será um momento de fortalecimento da posição e ação dos movimentos populares do campo, da cidade, das águas e das florestas contra a fome e pela produção de alimentos saudáveis rumo à soberania alimentar e à unidade dos povos!



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