No Maranhão, comunidades tradicionais são atingidas novamente por agrotóxicos

Da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela vida

Nesta quinta-feira (27), agricultoras e agricultores das comunidades tradicionais Santa Tereza, São Raimundo e Cantinho dos Vieiras em Brejo, no leste do Maranhão, denunciaram novo episódio de contaminação por veneno, após aplicação de agrotóxicos por um sojicultor da região.  Um vídeo gravado no local registra animais agonizando e, até o momento,  há notícia de que três deles morreram. Autoridades sanitárias e policiais foram acionadas e são aguardadas pela população. 

Uma moradora relata que um familiar chegou a desmaiar ao tentar salvar um dos animais. “Meu primo tentou socorrer uma vaca que estava parida, mas o cheiro do veneno estava tão forte que ele desmaiou”, denuncia.

Morte de animais e desmaio de morador foram denunciados por famílias do município do Brejo. O advogado popular que assessora famílias na região contextualiza o caso.

As comunidades sofrem de forma constante com a aplicação de venenos em lavouras do agronegócio, em um território marcado por grilagem de terras, ameaça a famílias e proximidade entre as casas de trabalhadoras e trabalhadores rurais e os latifúndios. Lideranças locais denunciam que há pelo menos quatro  anos o agronegócio despeja veneno sobre a comunidade. Em caso recente, ocorrido em abril, as comunidades tradicionais Carranca e Araçá, ambas em Buriti, no Baixo Parnaíba, foram atingidas pela pulverização aérea.Na ocasião, crianças, adultos e idosos foram intoxicados e apresentaram queimaduras pelo corpo, coceira generalizada, febre e crises de vômito.

“Nós temos muito temor que mais comunidades sejam duramente castigadas por esta prática”, afirma Diogo Cabral, advogado popular que assessora famílias na região. Só nesta semana, o assessor jurídico da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão (FETAEMA) atendeu 12 comunidades contaminadas por agrotóxicos.

Além da pulverização, as comunidades sofrem em razão da destruição do cerrado. Inclusive, mais recentemente, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Estado do Maranhão autorizou a derrubada de mil hectares de cerrado, que foi transformado em carvão, afetando diretamente as comunidades de Brejão, Araçá, Capão, Belém, Angelim, Cacimbas, Mato Seco, Brejinho e Baixão.



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