Novas regras buscam dar mais transparência aos rótulos de alimentos industrializados

Apesar dos avanços, especialistas dizem que legislação ainda não é suficiente para informar corretamente os consumidores

Por Michele Carvalho no Brasil de Fato

Você costuma ler as informações nutricionais e os ingredientes que vêm descritos nas embalagens dos alimentos que você compra no supermercado? Se você tem esse hábito, pode ser que perceba, nos próximos meses, algumas mudanças na forma como esses dados são apresentados.

A Anvisa, que é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aprovou na semana passada, novas regras para as empresas alimentícias comunicarem aos consumidores quais os ingredientes e quais as quantidades deles, que elas colocam nos produtos.

Vanessa Mello Rodrigues faz parte do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições, da Universidade Federal de Santa Catarina, que esteve envolvido nos estudos que ajudaram a definir essas mudanças.

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A pesquisadora conta que as novas regras atualizam uma regulamentação de 2003 e que esse processo, que começou em 2014, contou com a participação de representantes da indústria de alimentos, da sociedade civil e também da academia. Ela também explica algumas das mudanças impostas pela nova regulamentação. 

“Acredito que a principal novidade é a rotulagem nutricional frontal, com um desenho de uma lupa e um alerta sobre alto conteúdo de três nutrientes ou ingredientes principais que são, açúcar adicionado, gordura saturada e sódio. Outra mudança é na tabela de informação nutricional na parte de trás. Agora é obrigatório que essa tabela seja apresentada num fundo branco com letras pretas”, aponta. 

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Além disso, Vanessa também conta que os fabricantes precisam informar o quanto de açúcar foi adicionado ao alimento, além da quantidade que o produto já tem naturalmente. E essas duas informações precisam estar separadas para que o consumidor possa saber ao certo o que está consumindo.

Outra mudança importante está relacionada ao modo como as empresas devem dizer o quanto de determinado ingrediente foi adicionado ao produto, como exemplifica Vanessa. 

“Tinha uma regra, onde dizia qual era a porção recomendada para cada tipo de alimento. Essa recomendação continua valendo, mas ao lado, vai ter que ter uma coluna apresentando o valor por 100 gramas ou 100 ml. Isso foi feito visando facilitar a comparação pelo consumidor. Então, você vai ter como pegar dois produtos e olhar os valores por 100 gramas ou 100 ml dos dois e comparar as quantidades”, informa. 

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Apesar do avanço na transparência de informações que essas novas regras representam, Vanessa reconhece que ainda há muito o que ser feito para que os consumidores tenham condições de saber realmente que tipo de alimento está sendo oferecido pelas empresas e, a partir disso, fazer uma melhor escolha do que será colocado na mesa.

“Eu acho que o meu grupo de pesquisa compartilha dessa mesma posição pessoal como pesquisadora que eu tenho. O Brasil avança muito, é uma vitória muito grande da gente ter conseguido aprovar essa regulamentação, mas nós ainda temos sim algumas coisas para melhorar”, diz.

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Vanessa ainda afirma que muitas sugestões importantes, feitas pelos pesquisadores ficaram de fora dessa nova regulamentação, como por exemplo, a obrigatoriedade de informar a presença de adoçantes na composição dos alimentos.

Teresa Liporace, diretora executiva do Instituto de Defesa do Consumidor, o Idec, também faz algumas críticas à proposta aprovada pela Anvisa.

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“Prazo de implementação é muito longo. A gente já esperou seis anos e ainda vamos aguardar dois anos, para que todas as embalagens façam as mudanças. E o modelo adotado, de lupa é muito pior do que aquele colocado em consulta pública pela própria agência, meses atrás, e cientificamente já está comprovado que ele não é o melhor modelo para os consumidores”.

Para saber mais informações sobre o que muda com a nova regulamentação dos rótulos dos alimentos, basta acessar o site da Anvisa. 

Edição: Douglas Matos



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