O PARAQUAT e o PLANTIO DIRETO

Por Maysa Mathias*

O que é Plantio Direto?

É uma tecnologia tradicional de manter a palhada ou restos vegetais da colheita daquela safra sobre o solo, e depois realizar o plantio sem revolver o solo ou retirar a palhada. Ou seja, sem usar maquinários agrícolas como trator, grade ou arado para o preparo da terra, que inverte o solo, jogando o que estava em cima como a matéria orgânica e palhada, para baixo, e o que estava em baixo (solo) para cima, técnica conhecida como cultivo convencional.

Como todos sabem o Brasil é um país de clima tropical a qual o seu solo e as formas de cultivo tradicionais sempre foram aplicados observando a natureza. Se na mata as folhas e restos de culturas ficam sobre o solo e a terra abaixo dele se transforma em terra boa, respeitando o tempo de secagem e decomposição natural do material vegetal que forma a palhada, e em sequência é feito os cultivos.

Então porque querem nos convencer de utilizar herbicidas como o paraquat?

Pois bem, com o fim da 2º guerra mundial os restos de armas químicas utilizados na guerra precisaram ser utilizados a todo e qualquer custo, e nesse processo foram transformados e utilizados massivamente pelo agronegócio, que é o famoso pacote tecnológico da revolução verde.

Lembram da explosão recente no porto de Beirute que matou 100 e deixou 4 mil feridos?

Aquela explosão foi do nitrato de amônio, que é utilizado para fazer bomba, mas também é um fertilizante amplamente usado pelo agronegócio. A caixa K que reaproveitamos para feitura de móveis, é K de “Kerosene” em inglês, pois fazia os transportes na guerra, os tratores são os tanques de guerra em constante atualização.

As armas químicas das guerras e holocaustos, viraram herbicida, fungicida, o famoso adubo químico “NPK”. Em vários países haviam neve e era preciso revolver e retirar a neve do solo, e nessa brincadeira o solo tropical foi revolvido por anos, com tratores e grade pesadas, matando, compactando o solo, destruindo a matéria orgânica e a vida.

De forma bem resumida, aqui é a lei do nada se perde, tudo se transforma, e o agronegócio nunca perde. Ele não só transforma, como expropria, apropria, reduz e modifica os saberes e tecnologias em seu favor, sempre agregando seus pacotes tecnológicos para o LUCRO em detrimento da VIDA.

Esse é o caso do Paraquat no Plantio Direto, o agronegócio sabe dos benefícios do Plantio Direto para a agricultura tropical, mas ele expropria a tecnologia tradicional e popular, e agrega o herbicida altamente tóxico e cancerígeno Paraquat usado para dessecar o material verde o transformando em palhada, para em sequência realizar o plantio direto do agronegócio.

Por isso que a liberação do uso do Paraquat é prioritária para o agronegócio, afinal de contas, tem muito estoque parado devido a proibição em mais de 50 países e união europeia desde 2007, e além disso, o antigo favorito do setor o “glifosato” tem tido baixa eficácia devido à resistência e tolerância de muitas espécies tidas “daninhas”. E para onde vão empurrar? Sim, para o seu prato, corpo e sistema nervoso central degradando suas células e neurônios.

Por fim, diversos são os estudos científicos que comprovam que os usos de herbicidas NÃO SÃO BENÉFICOS PARA O SOLO e NATUREZA independente do sistema de plantio (convencional, mínimo ou direto) e seu modelo é responsável e baseado nas seguintes técnicas:

  • Aplicação de herbicida, fungicida e inseticida;
  • O foco é a produção a base de semente transgênica e de polinização fechada;
  • Responsável pela redução drástica dos microrganismos e rizobactérias promotoras de crescimento em plantas;
  • Redução da biomassa seca e baixa ciclagem de nutrientes refletindo em imobilização e/ou fixação no solo;
  • Rápida decomposição da palhada aumentando a exposição do solo e a reincidência de plantas daninhas – consequentemente mais aplicações de herbicida;
  • Aumento das doses ao longo do ano pelas perdas de eficiência o que aumenta a contaminação;
  • Responsável pela destruição da mesofauna, mesoflora e atividade microbiológica do solo;
  • Podem ser lixiviados e percolados (lavados do solo) para o lençol freático;
  • Contaminação dos mananciais hídricos pelo carreamento de partículas;
  • Mata a biodiversidade e o Povo;
  • Alto efeito residual acidificando o solo;
  • Não é somente sobre plantio, é um projeto colonial hegemônico estruturante que sustenta o genocídio do Povo, da Terra e de tudo que nela há;
  • O foco é exportação e não soberania e segurança alimentar; O plantio direto do agronegócio é 7 litros de veneno na mesa do Povo e na Natureza. E o que o agronegócio não conta, é ele nos mata e ainda pagamos a conta!

*Maysa Mathias é Educadora Popular, trabalha com agricultura Tradicional pela segurança e soberania alimentar. Engenheira agrônoma de formação é mestra em Produção Vegetal e doutoranda em Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares pela UFLA.



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