Prêmio “A história que eu cultivo” homenageia experiências de agrobiodiversidade

Por Cristiane Sampaio
Do Brasil de Fato

Experiências que ajudem a promover a biodiversidade no país agora poderão ser homenageadas por meio de uma condecoração própria, o prêmio “#AHistóriaQueEuCultivo”, organizado pelo Grupo de Trabalho (GT) Biodiversidade da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Até 10 de dezembro, data em que se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a entidade recebe relatos em vídeo sobre iniciativas que promovam a diversidade da natureza e a resistência daqueles que tentam frear problemas como a contaminação de sementes, mudas e alimentos por agrotóxicos, transgênicos ou queimadas.

O prêmio homenageia, nesta primeira edição, a animadora de sementes crioulas Emília Alves Manduca, militante do Mato Grosso que faleceu em 1º de setembro deste ano. A agricultora era uma referência popular na defesa da reforma agrária, contra o uso de pesticidas e também em outras bandeiras, como a proteção das águas, da educação no campo e do cooperativismo.

A advogada Naiara Bittencourt, integrante do GT que promove o prêmio e também da ONG Terra de Direitos, afirma que a condecoração ajuda a dar visibilidade ao trabalho dos personagens populares que valorizam as sementes, além de contribuir para a preservação da biodiversidade. Os organizadores consideram também que o edital ganha especial importância no atual contexto do país, marcado pela “exclusão, pela criminalização e pela ausência de políticas que valorizem as práticas e saberes tradicionais”.

“Além de tudo, tem uma importância simbólica no que tange a esses guardiões e guardiãs, que são esquecidos, seja pelo poder público, por políticas públicas, por ausência de fomento, por ausência de valorização estatal, [pra] que também haja um reconhecimento pelo trabalho que prestam a toda a sociedade, que haja um reconhecimento social da importância da existência desses guardiões e guardiãs”, acrescenta a advogada.

O concurso irá selecionar relatos de cinco histórias coletivas ou individuais, com até cinco minutos sobre esse tipo de experiência. Os vídeos podem ser feitos de forma caseira, gravados com celular ou câmeras. A iniciativa se volta para agricultores familiares, camponeses, povos indígenas, quilombolas e outros tipos populares de comunidades tradicionais cuja atuação dialogue com o tema da condecoração. Entidades também podem concorrer.

A utilização do audiovisual como referência para a escolha daqueles que serão contemplados no material é, segundo Naiara Bittencourt, uma estratégia para auxiliar na multiplicação desse tipo de trabalho. “Essas tecnologias também podem ser apropriadas para disseminar informações, conhecimentos tradicionais, práticas agroecológicas e chegar a mais pessoas, inclusive como uma forma de intercâmbio, de reconhecimento, valorização”, argumenta.

Premiação

De acordo com o edital, as cinco experiências escolhidas serão agraciadas com viagens para intercâmbios de saberes sobre questões agroecológicas. Além disso, os autores serão convidados a participar de eventos do GT Biodiversidade da ANA ou de parceiros, quando for possível promover esse tipo de agenda no país. Por conta da pandemia, o texto sinaliza que os eventos serão definidos apenas “no momento seguro para o retorno das atividades presenciais”.

Também serão distribuídos certificados aos guardiões e guardiãs da biodiversidade e 15 relatos serão escolhidos para a composição das chamadas “Histórias locais”, material a ser editado pela organização do prêmio para distribuir aos personagens ou comunidades. A seleção prevê ainda a produção de uma “História coletiva”, com os relatos mais detalhados que tratem das práticas de preservação. As inscrições devem ser feitas pelo site www.historiaqueeucultivo.com.br

Edição: Michele Carvalho



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